EXEMPLO DE COMPOSTO ORGÂNICO EM ESPAÇO REDUZIDO 

Todo material de origem animal ou vegetal poderá ser usado. Usar cavacos de madeira, gravetos, sabugo de milho, vagens de árvores. Restos de alimentos deverão ser cobertos com terra para evitar ratos ou outros animais. Não use materiais como vidro, plástico, couro, tinta, óleo ou madeira invernizada ou tratada contra cupins.

A pilha deve ter uma proporção maior de material que se desfaz lentamente, como galhos, palhas, folhas e aparas de gramas que entram com o carbono. Revolver o composto 3 a 4 vezes o primeiro mês de compostagem e pelo menos duas vezes depois. Para evitar altas temperaturas (acima de 60oC, deve ser feito o revolvimento constante ou adição de água. 

 

COMPOSTO RÁPIDO - Sem Esterco

Composto é o produto homogêneo obtido por um processo biológico, pelo qual a matéria orgânica existente nos resíduos é convertida em outra, mais estável, pela ação de microrganismos normalmente já presentes nos próprios resíduos. A compostagem dos restos agrícolas provavelmente é tão antiga quanto o preparo do solo para cultura.

Originalmente, os processos utilizados eram rudimentares, baseados na formação de montes que eram revirados ocasionalmente. A rigor, ninguém sabe como fazer uma pilha de composto que amadureça em duas semanas, e no entanto, trata-se de uma técnica mais útil do que se possa imaginar. Muitas pessoas pensam que composto rápido requer métodos e habilidades especiais. Mas não é bem assim.

Algumas recomendações especiais, consideradas por alguns como essenciais para a compostagem são:

- Colocar camadas de material vegetal na base, 
- Alternar camadas de diferentes materiais,
- Triturar cada um deles, 
- Misturar um pouco de terra
- Usar iniciadores bacterianos
- Adicionar esterco de galinha
- Controlar a acidez com calcário ou cinza de madeira.

Há 5 aspectos a serem considerados quando se faz um composto rápido:

  1. Utilizar diversos materiais para conseguir um suprimento de alimentação equilibrada para os microorganismos
  2. Misturar todo o material, ao invés de fazer camadas
  3. Fazer vários sulcos nos caules e quebrar as folhas a fim de possibilitar a entrada dos microorganismos
  4. Revolver frequentemente para aeração
  5. Manter a umidade permanentemente.

Esse composto não está baseado em utilização de esterco animal, mas antes de explicar exatamente como realizar todo o processo, vamos falar sobre o que ele foi baseado, o processo INDORE.

O processo de produção de composto sem esterco é feito construindo uma pilha de 2.60m de comprimento por 2m de largura e 1 metro de altura. Nesse processo as pilhas mais velhas são revolvidas. O importante é aprender como misturar todo o variado material de que se dispôe, a fim de prover um suprimento de alimentação equilibrada para manter os organismos que operam a decomposição, visto que nenhum material é completo isoladamente. A base de tudo é o nitrogênio - base da proteína para reprodução das bactérias - e carboidratos como fonte de energia. O principal motivo da pilha de composto não conservar a alta temperatura é a rápida decomposição é a insuficiência de materiais ricos em nitrogênio. É por isso que muita gente vê o esterco como material como ingrediente essencial para um bom composto.

A relação carbono/nitrogênio num composto bem feito seria de 30 para 1. Na prática, porém é difícil determinar a quantidade exata de carbono ou nitrogênio. Mas saber os números não é tão importante quanto trabalhar bem a pilha. Use o conceito de carbono/nitrogênio apenas como um guia geral, juntamente com os valores médios indicados no quadro abaixo. A grosso modo, as proporções seriam de aproximadamente 2/3 do material rico em carboidrato (que tende a ser mais seco, um tanto duro e lenhoso - folhas secas, caules, palha, papel), para 1/3 de materiais verdes e ricos em nitrogênio (qualquer matéria fresca verde é rica em nitrogênio - brotos de ervas, grama cortada, etc).

É sempre melhor colocar um pouco mais de material rico em nitrogênio - brotos de ervas, grama cortada, etc. Sem isso a pilha não aquecerá o suficiente. O único inconveniente é que o excesso seria perdido como gás durante o revolvimento.

Após reunir todo o material em suas proporções certas para alimentar os microorganismos, o segundo passo é misturar os materiais uniformemente. Empilhá-los em camadas, como no método tradicional, é um excelente meio para medir o balanceamento que você está tentando conseguir.

O terceiro requisito para a compostagem rápida é quebrar e esmagar os revestimentos da partes das plantas, tanto quanto possível. Essa é a coisa mais importante que um triturador faz para apressar a compostagem. No sistema manual (sem a utilização do triturador) todo o material mais grosso é inicialmente cortados em pedaços de 15 cm com um facão. Então, as pilhas são formadas com os enxadões e mais tarde também reviradas. Durante esse processo o material é batido, revolvido e despedaçado, em vez de ser apenas suspenso e virado como ocorreria com o uso de um garfo. Através deste método os pedaços maiores de caules e talos, de decomposição mais difícil, são totalmente quebrados.

Outra grande vantagem desse método é que, a cada revolvimento, expõe todas as partes do material ao ar. Nenhum pedaço maior, mais grosso, pode perman ecer intacto, como ocorre quando o composto é manejado com o garfo. Uma aeração completa e frequente é o quarto requisito da compostagem rápida. A decomposição ativa é um processo semelhante à queima, e o ar é usado rapidamente, sobretudo no inicio. Recomenda-se que a primeira revirada seja feita no segundo dia após a construção da pilha. Revolva-o outra vez no quarto dia, mais uma vez no sétimo e outra no décimo dia. Depois do último revolvimento a temperatura da pilha começará a descer de 60/70°c para 43°c, ponto em que o processo estará concluído e o composto pronto para ser usado.

O quinto aspecto é que uma pilha de composto necessita de bastante umidade. Abaixo da superfície o material poderá ficar brilhante em virtude da umidade, sem estar encharcado. Muitas vezes o material verde, fresco pode fornecer a maior parte da umidade que a pilha necessita. Quase sempre uma porção de água sai em forma de vapor durante o revolvimento. Em tempo seco é recomendavel molhar a pilha até que a água atinja o centro. É bom evitar que a pilha se enxarque com a chuva, protegendo-a com plástico preto. O excesso de água pode levar o oxigênio para fora da pilha, lixiviar os nutrientes e baixar drasticamente a temperatura.

UMA RÁPIDA VIAGEM NO TEMPO:*

"Entre os anos de 1925 e 1930, a obra do pesquisador inglês Sir. Albert Howard foi o principal ponto de partida para uma das mais difundidas vertentes alternativas de produção, a agricultura orgânica. Howard considerado o pai da agricultura orgânica, dirigiu, em Indore, Índia, um instituto de pesquisas de plantas, onde realizou vários estudos sobre compostagem e adubação orgânica. Seu sistema partia basicamente do reconhecimento de que o fator essencial para a eliminação das doenças em plantas e animais era a fertilidade do solo. Em 1905, Horward começou a trabalhar na estação experimental de Pusa, na Índia, e observou que os camponeses hindus não utilizavam fertilizantes químicos, mas empregavam diferentes métodos para reciclar os materiais orgânicos. Howard percebera, também, que os animais utilizados para tração não apresentavam doenças, ao contrário dos animais da estação experimental, onde eram empregados vários métodos de controle sanitário. Intrigado, Howard decidiu montar um experimento de trinta hectares, sob orientação dos camponeses nativos e, em 1919, declarou que já sabia como cultivar as lavouras sem utilizar insumos químicos. Para atingir seu objetivo ele criou o chamado processo “Indore” de compostagem, desenvolvido entre 1924 e 1931, pelo qual os resíduos da fazenda eram transformados em húmus, que, aplicado ao solo em época conveniente, restaurava a fertilidade por um processo biológico natural." . *http://www.sebrae.com.br/setor/agricultura-organica/o-setor/historia